sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Mais Importante é Classificar?


Imagem retirada de G1
O mais importante é classificar?
Como venho expondo aqui no blog, o momento da escolha profissional é sempre difícil e angustiante. Alguns com pouca maturidade escolhem por carreiras sem reflexão e sem informação. 
Retorno a esse assunto após ter lido uma reportagem do jornal O Globo, do dia 11/01/2013, que me despertou preocupação. Apesar de já ter se passado um mês, e as escolhas já terem sido realizadas, venho deixar o meu alerta para jovens e pais. 
O artigo aborda que após as notas de corte do Sisu serem publicadas, muitos alunos abriram mão de suas escolhas, seus sonhos e desejos com a única intenção de entrar numa universidade. Para tanto optam por um curso em que a nota de corte é mais fácil de ser atingida. Há uma urgência para entrar na faculdade! Que pressa é essa? 
Claro que é muito importante entrar para faculdade, mas de que maneira? Parece-me que a preocupação não é o que fazer. É entrar mesmo que depois alguns desistam ou vivam frustrados com o que fazem. 
Fiquei surpresa ainda com a orientação do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, incentivando-os a realizarem trocas para fins de classificação. Recomendou que quem estivesse muito abaixo à nota de corte, procurasse outras opções. O importante é classificar? 
Concordo com o diretor pedagógico do Colégio QI, Ricardo Camelier que recomenda cautela para não se abrir mão do curso desejado, principalmente para aqueles que estão pela primeira vez tentando o vestibular. 
Finalizando, chamo atenção para esse momento do vestibular! Para que fiquem atentos aos anseios da sociedade, família e amigos que valorizam o entrar na faculdade sejam qual for, o classificar seja como for, a profissão que dá dinheiro ou que todos escolhem e que está na moda.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Verbo Ser


Amigos e leitores do blog,
Depois de umas “férias” estou de volta iniciando o ano de 2013 com um belo poema de Carlos Drummond de Andrade e que tem tudo a ver com o que temos refletido.

Verbo Ser
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser? 
É ter um corpo, um jeito, um nome? 
Tenho os três. E sou? 
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? 
Ou a gente só principia a ser quando cresce? 
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? 
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? 
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. 
Que vou ser quando crescer? 
Sou obrigado a? Posso escolher? 
Não dá para entender. Não vou ser. 
Vou crescer assim mesmo. 
Sem ser Esquecer.

domingo, 4 de novembro de 2012

Sonhos - O que Você Quer Ser Quando Crescer?

Comentário sobre o vídeo de Deivison Pedroza
Outro dia, uma amiga compartilhou em seu facebook o vídeo do Deivison Pedroza e resolvi postá-lo no meu blog. Muito bom! Aproveito para trocar algumas impressões.
Chamou-me a atenção o fato de ele dizer que quando criança tudo o que se deseja parece simples, mesmo aquilo que se ache impossível. Ao crescer, esses podem tornar-se realidade ou permanecerem como sonho. Tudo depende da resposta a uma pergunta: “O que eu quero ser quando crescer?”.
Concordo com ele que essa indagação é o ponto de partida para construção do futuro e ressalto sobre a importância desse momento, da forma que deve ser realizada, da necessidade de começar a alinhavar um projeto de vida.  Pensar como querer ser no futuro mesmo que essa “costura” sejam com linhas tênues.
Ele destaca a necessidade de fazer o que se gosta e não apenas aquilo que traz retorno financeiro, de fazer com amor e ser o melhor naquilo que se faz. A remuneração será consequência de seus esforços, não de uma forma mágica e sim do começando do zero, fazendo de tudo, experimentando o novo, permitindo erros.
Achei interessante quando ele fala que a concretização de seus desejos é uma busca diária. Realmente, a busca daquilo que se deseja não é fácil. Apostar no desejo e sustentá-lo é uma tarefa árdua. Algumas pessoas imaginam que quando se faz o que gosta, vai viver num mundo sem sofrimento e esforços. A sustentação é no dia-a-dia e que muitas vezes leva o sujeito a pensar que fez escolhas erradas.  
E no final ele diz “quando tudo parecer difícil volte a ser criança e responda: O que quero ser quando crescer?”. Penso que o recomeço é o que torna tudo possível e nós somos responsáveis pelo nosso destino.
Vamos ao vídeo!
“Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum.”
Monteiro Lobato

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sobre o Evento "A Família e o Vestibular"


No dia 21 de setembro foi realizado o evento “A Família e o Vestibular”, que aproveito para deixar registradas a importância e satisfação de ter proporcionado esse momento.
As discussões levantadas geraram boas reflexões. O grupo, bastante heterogêneo, cada um com sua experiência, todos como sujeito revivendo suas experiências pessoais e profissionais.
No decorrer do encontro apresentei recortes do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, que relata a história de um professor de poesia em uma escola preparatória para jovens na qual predominam valores conservadores, e onde os inspiram a buscar suas paixões.
A estabilidade financeira e o desejo dos pais foram questões que predominaram no debate e que atravessam com constância o momento da escolha profissional e muito bem abordado no filme. A busca e preocupação com a estabilidade, bastante pertinente, surgiram como discussão principal, deixando claro, a dificuldade de conciliar o desejo com o dinheiro.
A preocupação da família com o futuro do jovem faz com que decidam por ele, dificultando sua autonomia. Também foi relatado que ao mesmo tempo surge muita ansiedade na intenção de ajudar e apesar disso é possível perceber aonde chegar, exigindo de cada um constante reflexão. E para finalizar concluíram que como não existem fórmulas e manuais, o importante é acompanhá-los e constantemente rever suas intervenções.


Viver é isso: Ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências." Jean Paul Sartre

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ITA e a Humanização de Estudantes


Tive grata surpresa quando num outro dia lendo o jornal O Globo encontrei a reportagem, onde o reitor do ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Carlos Américo Pacheco fala da reestruturação dos cursos de graduação para o próximo ano. A tentativa é de aliar o aprendizado técnico com habilidades sociais. Parabenizo a iniciativa e acredito que outras universidades, cursos, institutos deveriam seguir esse exemplo.
Antes de compartilhar essa entrevista quero acrescentar a passagem do livro “Desenvolvimento Interpessoal”, da Fela Moscovici que ilustra bem essa reportagem.
“A competência técnica para cada profissional não é posta em dúvida, claramente todos reconhecem que o profissional precisa ser competente em sua área específica de atividade. A competência interpessoal, porém, só é reconhecida para algumas categorias profissionais notórias, tais como assistência social, psicoterapia, magistério, vendas...
Em cada profissão, na verdade, os dois tipos de competência são necessários, embora em proporções diferentes”.
Vamos à reportagem!
Retirada na íntegra do site:

ITA vai mudar cursos de graduação para ‘humanizar’ estudantes
Reitor da universidade diz que ideia é aliar técnica com habilidades sociais.
Mudanças devem começar no segundo semestre de 2013.
Carolina TeodoraDo G1 Vale do Paraíba e Região
Reitor Carlos Américo Pacheco quer mudar cursos
no próximo ano (Foto: Carolina Teodora/G1)












Uma das melhores e mais tradicionais universidades do país, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), irá reestruturar os cursos de graduação no próximo ano para tentar “humanizar” seus alunos.
O objetivo da reformulação, segundo o reitor, Carlos Américo Pacheco, é aliar o aprendizado técnico com habilidades sociais para aumentar a capacidade dos 
alunos de trabalhar em grupo e lidar com desafios. Para isso, serão ministrados cursos extracurriculares. A grade também deverá sofrer alterações. Uma comissão formada por 18 especialistas de dentro e fora da instituição, como do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), estuda como implantar as mudanças.
Segundo Pacheco, a proposta de alterar o aprendizado da universidade tem gerado polêmica entre os educadores e professores do instituto. Mas a mudança deve começar já no segundo semestre de 2013.
“Queremos dar outras dimensões para os currículos para ir além da base técnica. Nossos alunos são muito bons em ‘hard skills’, como chamamos no meio acadêmico. Mas acho que faltam os ‘soft skills’ (competências pessoais). Trabalhamos pouco isso hoje”, diz Pacheco. Segundo ele, as mudanças não vão diminuir a qualidade dos cursos.
São duas as principais propostas em estudo para viabilizar a mudança: a criação de um Centro de Inovação, um laboratório que visa aproximar os alunos à dinâmica das principais empresas do país, e a implantação de cursos mais abrangentes, como engenharia de sistemas.
A mudança dará fim a uma tradição de 62 anos da instituição, considerada o berço da elite da engenharia brasileira, com seis cursos consolidados – aeronáutica, aeroespacial, computação, civil aeronáutica, mecânica aeronáutica e eletrônica.
'Outro patamar'
Dono do grupo Poliedro, o engenheiro aeronáutico Nicolau Arbex Sarkis, formado no ITA na turma de 1992, elogia a mudança proposta. "O engenheiro precisa ter uma formação ampla. Além dos números, é preciso sensibilidade para administrar pessoas", diz.
"A capacidade de trabalhar em grupo, de liderança e de relacionamento são os aspectos mais importantes da vida profissional. E justamente estes aspectos são, há tempos, os mais criticados nos engenheiros formados no ITA. O novo projeto vai proporcionar uma bem-vinda mudança no perfil do profissional e elevar os engenheiros formados pelo ITA a outro patamar", afirma.
Segundo Sarkis, "aliar a formação técnica já existente no ITA com a formação humana é o que todo profissional deseja e toda empresa necessita".
Concorrência acirrada
O vestibular do ITA atraiu no ano passado 9.337 candidatos interessados nas 120 vagas abertas dos cursos de graduação (uma concorrência de mais de 77 pessoas por vaga). A meta é dobrar para 240 as vagas abertas nos cursos a partir de 2014.
O ITA irá assinar em agosto um convênio de R$ 300 milhões com o Ministério da Educaçãopara ampliar as instalações da universidade. As obras devem começar em outubro e serão executadas ao longo de quatro anos.
O projeto prevê a construção de um novo alojamento para os estudantes, novas bibliotecas, laboratórios e salas de aula. Fundado em 1950, o ITA é a única universidade do Brasil em que os formandos obtiveram o conceito ‘A’ em todos os cursos e em todas as edições do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o antigo Provão.




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Proposta de Análise Vocacional


Imagem do google
Quero detalhar um pouco mais, a forma que conduzo o trabalho de Análise Vocacional em meu consultório. Alguns pais ou jovens ligam pedindo que eu faça um teste vocacional e lhes diga qual a profissão seguir. Algumas escolas acreditam que somente trazendo profissionais para dar informações sobre as profissões e para contarem suas experiências de escolha é o suficiente para que eles optem por alguma profissão. A informação é necessária nesse processo, mas não podemos utilizar somente esta ferramenta.  Devemos ter cuidado para que, em vez de ajudar, acabar confundindo ainda mais. Decidi então convidá-los para um encontro e explico como é o trabalho.
O primeiro ponto que acredito ser importante pensarmos – no que for possível para ele no momento - quem é o sujeito que me procura e sua história de vida.
Pensar sobre esse momento da passagem da escola secundária para a universitária, da vida infantil para a adulta. Começar a construir seu projeto de futuro profissional. Desmistificar preconceitos em relação a algumas profissões, que muitas vezes o impossibilita de seguir o caminho de seu desejo. Debater sobre seus medos e fantasias acerca do futuro.
Falar sobre a importância da satisfação pessoal e realização financeira, se estas podem ou não andar juntas. Pensar que outras formas de profissionalização são possíveis além de um curso universitário, abrindo possibilidades aos cursos técnicos, não limitando suas opções as carreiras que são socialmente aceitas como Medicina, Engenharia e Direito.
Refletir sobre a incondicional importância do autoconhecimento, sobre aspectos de sua personalidade e entrar em contato com interesses e habilidades que possui, fazendo uma relação com algumas profissões.
Debater sobre o ato da escolha e suas implicações, do que abrir mão. Esse ponto, para o jovem, é difícil, pois várias perdas ocorrem na adolescência (corpo infantil, pais idealizados na infância). Fazê-lo perceber de que algumas opções não se perdem, apenas “guarda-se” para algum outro tempo ou canaliza-se para uma possibilidade dentro de um hobby.
Enfim, é uma série de questões ricas, profundas e de extrema importância, que poderíamos levar muitos encontros debatendo sem nos preocuparmos com testes ou laudos que acabam direcionando a vida do jovem. E por tudo isso, que o que nós profissionais da área podemos fazer é ajudá-los a pensar, a decidir suas próprias vidas.